segunda-feira, 22 de maio de 2017

Angel pode finalmente andar de bicicleta

domingo, 21 de maio de 2017

Ministério adia por um ano reformas na educação especial

O Ministério da Educação decidiu adiar por um ano, para 2018-19, a aplicação nas escolas do decreto-lei que irá substituir a atual legislação relativa à educação especial. A informação foi avançada pelo secretário de Estado João Costa, numa reunião com a Federação Nacional de Professores (Fenprof) sobre os currículos, realizada na semana passada.

"O senhor secretário de Estado disse-nos que a proposta de decreto-lei, que resulta das recomendações de um grupo de trabalho, será apresentada muito brevemente, que será alvo de um amplo debate público e que a intenção é tê-la aprovada ainda neste ano", disse (...) Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof. "Não será para aplicar nas escolas neste próximo ano letivo, que, segundo nos foi explicado, se destinará essencialmente a dar formação aos professores", acrescentou.

O ministério - que tem em mãos a proposta do referido grupo de trabalho há mais de um mês - mantém segredo absoluto sobre a reforma. Até para os parceiros educativos. "Não sabemos nada. Nem sequer se a tal formação será apenas para os professores de educação especial ou para todos os docentes, de forma a familiarizá-los com a nova lei", explicou o sindicalista. Uma das preocupações da Fenprof é precisamente perceber de que forma será gerida a dinâmica entre os professores de educação especial, os restantes docentes e os alunos. Mário Nogueira defendeu que "os professores de educação especial devem trabalhar diretamente com os alunos, não sendo uns meros assessores dos colegas".

Outra questão é a discrepância, por explicar, no tratamento dado aos alunos com NEE que chegam ao ensino secundário, em função da via de ensino que escolhem. Para os cursos profissionais está prevista a redução do limite de alunos quando estes estudantes estão integrados na turma. Mas o mesmo não sucede para os que frequentam a via tradicional das científico-humanísticas. "Esta é uma questão que não tem que ver com a nova lei. Está relacionada com as normas de constituição de turmas, já conhecidas, disse. "Convinha que o ministério explicasse esta situação, porque dá a ideia de que o Ministério da Educação acha que eles não podem ir para as científico-humanísticas". Refira-se que, por via do alargamento da escolaridade obrigatória, são cada vez mais os alunos com NEE a chegar ao secundário.

Apesar do silêncio do ministério - que voltou a não responder às questões colocadas (...) - os pilares do novo diploma não deverão fugir ao que constava de um relatório preliminar do grupo de trabalho, explicado em outubro (...) pela coordenadora do mesmo, Luísa Ucha. Assentam essencialmente na ideia de maior integração destes alunos nas rotinas da escola, tanto em termos de interação com os colegas como dos currículos seguidos. Assim, além de medidas que já começaram a ser aplicadas - como a obrigação de permanência na turma durante pelo menos 60% do tempo letivo, sob pena de o ministério não aprovar a redução da dimensão do número de alunos na sala - e da diminuição do tempo passado por estes estudantes nas chamadas unidades especializadas, o governo quer reduzir - ou mesmo suprimir - o recurso aos chamados currículos educativos individuais e planos educativos individuais (CEI e PEI), que na prática se limitam a aplicar aos estudantes uma versão muito simplificada dos currículos tradicionais, desenvolvendo "verdadeiros currículos" que estes possam seguir, adaptados às necessidades individuais de cada um mas que lhes permitam, por exemplo, continuar o seu percurso até ao ensino superior.

Na semana passada foi aprovada pelo Parlamento uma resolução sobre a reforma da educação especial. Mas apesar de abordar algumas questões valorizadas também pelo grupo de trabalho, como maior articulação entre escolas, famílias e especialistas na abordagem dos percursos dos alunos, o documento é considerado pelos professores de educação especial inadequado em vários pontos essenciais.
 
Fonte: DN por indicação de Livresco

Casas abandonadas

A partir do momento em que a minha avó materna faleceu, já lá vão 22 anos, a sua casa de granito na Beira Alta passou a ficar desabitada. Ao longo destas décadas, sempre que lá entrei, contorcendo-me entre as teias de aranha, senti que fazia uma viagem ao passado.

Nada do que hoje reencontro naquela casa abandonada continua a pertencer a este tempo, pois o contexto que lhe conferia sentido há muito que se apagou irremediavelmente. Desapareceu a dona das pedras de granito, a janela de carvalho perdeu a cor e até o menino que lá entrava, a tactear as paredes em plena escuridão, deixou em grande parte de existir.

Ainda assim, as fotografias a preto e branco, as cartas religiosamente depositadas na gaveta, as velhas arcas brasileiras a testemunharem a aventura transatlântica que tantos portugueses empreenderam, os tachos e a trempe enferrujada… tudo o que hoje ainda reconheço naquele santuário me ajuda a marcar um encontro comigo mesmo, com uma parte da minha identidade. Deste modo, ao interrogar cada fragmento, vou reconstruindo e desfazendo imagens, onde a luz e a escuridão se materializam em memórias fugazes e intermináveis esquecimentos, que mais tarde, na busca do rigor, vou cruzando com as narrações de outras vozes que ainda recordam o passado partilhado.

Eis aqui a imagem que melhor me ocorre quando penso no ofício de estudar História: regressar ciclicamente às casas abandonadas (moradias, mais ou menos familiares, que nunca param de aumentar dentro de nós), para interrogar incessantemente o que somos, à luz das nossas preocupações atuais. História: uma narrativa científica feita de luzes, sombras, silêncios, memórias e esquecimentos, à qual, nos últimos anos, deixei de dever o pão que me alimenta, mas que, ainda assim, jamais poderei apagar do meu posicionamento cívico perante o mundo.

Ora, no âmbito das comemorações dos 43 anos da Revolução de 1974, a RTP2 (balão de oxigénio da televisão pública nacional) transmitiu um interessante programa a respeito das conquistas de Abril (“Sociedade Civil”, XIII, 26/4, episódio 68). Já na parte final das conversas, o jornalista confrontou o historiador António José Telo com a seguinte questão:

– Estamos a ensinar aos mais novos verdadeiramente o que foi o 25 de Abril? Estamos a passar-lhes os valores de Abril, estamos a ensinar-lhes as diferenças que existiam com a ditadura e aquilo que é a vida deles agora com a democracia?

A resposta do académico – autor de uma prolífica, séria e multifacetada obra, decisiva para compreender o último século da nossa existência coletiva – fez-me saltar do sofá:

– Todas essas preocupações são preocupações mais a ver com a política do que com a História. Esta preocupa-se em explicar o que aconteceu (https://www.rtp.pt/play/p3150/e285778/sociedade-civil).

Devo dizer que discordo em absoluto desta posição. Afinal, como escreveu Marc Ferro, as primeiras etapas do ensino desempenham um papel fundamental na “imagem que fazemos de outros povos e de nós mesmos” (A manipulação da História no ensino e nos meios de comunicação, Brasil, IBRASA, 1983, p. 11), daí – acrescento eu – o carácer absolutamente determinante do educador de infância e do professor do 1.º ciclo na formação do indivíduo. Um tema que, de resto, bem justificaria outro artigo…      

Segundo creio, vários dos nossos problemas radicam no modo como continuamos a tratar as ciências estruturantes do pensamento, caso da História, mas também da Literatura e da Filosofia, que ainda há pouco tempo vi ser apelidada, por uma professora britânica, como o domínio do “nonsense”, perante a gargalhada geral da plateia.

As sociedades contemporâneas necessitam de ética e pensamento próprio como pão para a boca, a começar pelos líderes que governam o que ainda sobra da União Europeia. Pese embora as profundas transformações a que continuamos a assistir, a Escola continuará a desempenhar um papel decisivo na construção dos nossos alicerces civilizacionais. É a partir dela que poderemos continuar a combater de modo sustentado Trump, Le Pen e demais extremismos, que nos poderão conduzir, num ápice, a mergulhar no inferno autodestrutivo da guerra total. Estar atento é, portanto, uma necessidade, para todos os cidadãos.

Mais do que nunca faltam-nos pontes de sabedoria, nesta era dos muros de aço. E os (denominados) intelectuais deveriam ser os primeiros a compreendê-lo, descer das torres de marfim em que tantas vezes vivem enclausurados, erguer a voz e intervir. Por conseguinte, os historiadores que desprezam problematizar o modo como a sua ciência é trabalhada nos vários níveis de ensino estão a demitir-se da sua função cívica.

Todos nós temos as nossas casas abandonadas, esqueletos aos quais somos tentados a regressar. A História exerce um fascínio tremendo sobre o indivíduo, a começar pela maioria das crianças e jovens das nossas escolas. Falta-nos garantir que os programas curriculares da disciplina sejam ajustados à faixa etária dos alunos, que sejam pensados como um todo (numa perspetiva global, estruturada e articulada entre os vários ciclos), que a disciplina passe a contar com uma maior carga horária, que as turmas sejam efetivamente reduzidas (não me refiro às recentes produções de cosmética que continuam a vir a lume) e, por exemplo, que os professores passem a ter tempo para estudar e aprender. O que equivale a dizer que é urgente expurgar o sistema das inúteis burocracias e da kafkiana máquina de fazer dinheiro em que se transformaram as inúteis formações que para aí proliferam.

Nestes estranhos tempos em que quase tudo nos faz adormecer e obedecer, a Escola ainda pode continuar a fazer toda a diferença. Para isso, terá de constituir-se enquanto um jardineiro do pensamento e do espírito democrático. Ora, um dos primeiros passos concretos poderia ser o regresso da eleição da figura do diretor por todos os seus pares pedagógicos.

Caso a Escola não consiga adaptar-se, a mensagem dos Pink Floyd continuará a ser cada vez mais atual: “We don’t need no education”. E todos os extremismos terão cada vez mais escravos à sua disposição…

Renato Nunes (renato80rd8918@gmail.com)  

sábado, 20 de maio de 2017

Modelo de Vida Independente: reflexões para o futuro


Ana Sofia Antunes

Concluído o período de consulta pública do modelo de apoio à Vida Independente (MAVI) é tempo de partir para a ação e de fazer acontecer este verdadeiro momento de viragem na realidade de apoio a esta população em Portugal.

Da avaliação de todos os contributos recebidos resultou o relatório de consulta pública, divulgado na passada semana, no qual procurámos fundamentar as razões da sua inclusão ou não no modelo final. Encontrámos condições para acolher a grande maioria das sugestões apresentadas, fazendo ajustamentos consideráveis ao modelo, e estamos convictos que deste processo resultou um Modelo de Vida Independente ainda mais próximo às necessidades dos destinatários. Entre as principais alterações está por exemplo a redução da idade mínima de acesso ao modelo dos 18 para os 16 anos ou o alargamento a pessoas com deficiência intelectual, do desenvolvimento e com doença mental, com grau de incapacidade certificado inferior a 60%.

Mas dois tópicos em particular mereceram um significativo número de contributos durante a consulta pública, e relativamente aos quais quero deixar algumas notas.

Em primeiro lugar, a opção de restrição do acesso à função de Assistente Pessoal, a familiares diretos do beneficiário. Não deixando verdadeiramente de entender as razões que levam as famílias a oporem-se a esta opção, as quais construíram toda a sua vida em torno das necessidades do elemento do seu agregado com deficiência, devemos esclarecer que esta decisão procura ir ao encontro de um conjunto vasto de pessoas com deficiência, que buscam a sua autodeterminação e autonomia. Estes cidadãos querem escolher por si, tomar as suas decisões, sem sobreposição de interferências familiares, as quais, embora fundadas em instintos protetores e em relações de afeto, podem não ser as que verdadeiramente querem para si. Esta opção procura ainda promover o merecido descanso familiar, incentivando que a assistência nas tarefas em que a pessoa com deficiência se encontra condicionada, possa ser prestada por um terceiro, por si livremente escolhido, mas que aja exclusivamente no cumprimento da sua estrita vontade. 

Um segundo aspeto que mereceu contestação por parte de alguns setores da deficiência é o do percentual de pessoas que poderão exceder o limite semanal de 40 horas de assistência pessoal. Cumpre salientar uma vez mais que estamos perante a implementação de um modelo que se encontra em fase experimental, e que por isso se concretizará através de projetos-piloto. Sempre deixámos claro que não será possível, no decurso dos próximos três anos, chegar a todos quantos certamente carecem de assistência pessoal, apontando as estimativas para um número de beneficiários entre os 200 e os 300. O modelo procura ser o mais abrangente possível, abarcando beneficiários com qualquer tipo de deficiência: física, intelectual, sensorial. Merece a nossa inteira concordância a necessidade premente de um número de horas superior, especialmente por parte dos cidadãos que têm maior comprometimento físico. Esta foi a razão que fundamentou, num primeiro momento, o alargamento do número de horas de assistência a 10% dos beneficiários. Na sequência de um diálogo construtivo com o Bloco de Esquerda, o Governo decidiu posteriormente alargar este percentual para 30%. 

A vida independente é uma necessidade incontornável dos cidadãos com deficiência. É isso que procurámos reconhecer com este modelo, não com palavras mas com acções muito concretas. O que não conseguimos é passar num único ano dos 0 aos 100% de cobertura nesta medida. Há que fazer compreender a todos os cidadãos com deficiência que a vontade e o empenho nesta matéria são totais, mas os recursos são finitos. E perante esta realidade incontornável, contando nós com um montante de verba já definido, há que o gerir da melhor maneira, o que significa poder prestar assistência pessoal ao maior número de beneficiários possíveis. 

Assumi desde o início deste mandato que o mais difícil seria gerir as expectativas de todos. Apelo à compreensão e espírito de união de todas as pessoas com deficiência em Portugal, em prole da continuidade de um caminho conjunto que transversalmente tem revelado resultados. O caminho faz-se caminhando, o mundo muda paulatinamente, não de uma só vez, mas muda!

Ana Sofia Antunes

Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência

Fonte: Público

Governo cede e dá mais horas de apoio a pessoas com deficiência

Até 30% dos futuros beneficiários do Modelo de Apoio à Vida Independente terão apoio pessoal garantido sem qualquer limite de tempo, revela a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes (...). O projeto inicial do Governo estabelecia um limite máximo de 40 horas por semana para todos os beneficiários.

Este limite foi muito contestado na consulta pública do projeto, que decorreu entre fevereiro e março, por pessoas com deficiência e associações do setor, por não responder às necessidades de quem precisa de apoio permanente, como é o caso dos tetraplégicos.

Na sequência destes protestos, o Governo começou por decidir isentar 10% dos beneficiários daquele limite máximo de horas, tal como foi tornado público esta semana. Mas esta decisão foi também contestada publicamente pelo Bloco de Esquerda (BE), que a considerou insuficiente. 

Fonte: Público

"A voz das nossas mãos" Encontro de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa

Docentes e estudantes da licenciatura em Tradução e Interpretação de Língua Gestual Portuguesa, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (ESE/IPS), promovem, no dia 27 de maio, o Encontro de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa (ILGP), cujas as inscrições se encontram a decorrer em www.ese.ips.pt

Sob o tema "Percursos Profissionais e Partilha de Experiências", o encontro reúne profissionais para debater e partilhar conhecimentos nas diferentes áreas de intervenção da profissão de Intérprete de Língua Gestual Portuguesa, nomeadamente em contexto televisivo, social, judicial e no setor da saúde, desporto, educação, entre outros.

Em foco vão também estar as temáticas "A interpretação da Língua Gestual Portuguesa como mais-valia noutras profissões" e o "Associativismo dos ILGP-Defesa da Classe Profissional". O encontro, destinado também a estudantes desta área, consiste num momento de partilha e aprendizagem comum, que visa contribuir para o crescimento dos participantes como profissionais e proporcionar uma oportunidade de formação complementar.

Fonte: Mais Algarve por indicação de Livresco

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A cadela Mel vai à escola ajudar crianças com autismo

Paulo tem um autocolante vermelho na mão direita e outro azul na esquerda. Ana Barbosa Ribeiro, a técnica de terapia assistida, aponta para Mel – que tem também autocolantes coloridos iguais nas patas – e vai perguntando a Paulo, com seis e a frequentar o 1.º ano, (a pedido da escola não o identificamos pelo seu verdadeiro nome) qual corresponde a qual. A Mel é uma cadela golden retriever de 18 meses especialmente treinada para ajudar crianças com dificuldades.

Estas sessões de cinoterapia fazem parte de um projeto implementado na Escola Básica do Tovim, em Coimbra, pelo Centro de Apoio Social de Pais e Amigos da Escola (CASPAE), uma Instituição Particulares de Solidariedade Social, e envolve atualmente quatro crianças com autismo. O projeto funciona em contexto escolar. Além da cadela Mel e da técnica de terapia assistida Ana Ribeiro, fazem parte do projeto uma psicóloga e especialistas do estabelecimento do Agrupamento de Escolas Eugénio de Castro, que tem uma unidade de ensino estruturado para autistas.

A psicóloga Cátia Rodrigues, coordenadora do projeto de cinoterapia, explica que, depois de feito o diagnóstico das crianças, o plano de intervenção é desenhado de acordo com a necessidade de cada uma. Mel ajuda as crianças a treinar a capacidade de concentração, as competências sociais e de comunicação. Um dos objetivos é que “aprendam a ter comportamentos nos momentos adequados, como um bom dia, uma boa tarde, [a fazer] contacto visual com o outro ou a ter uma postura corporal adequada ao que está a sentir na altura”. Outro dos aspectos trabalhados é a psicomotricidade, como a diferença entre esquerda e direita, em exercícios como os que Paulo faz com os autocolantes.

O cão também tem horário

“As crianças com autismo têm hipersensibilidade a estímulos”, afirma Cátia Rodrigues, pelo que o simples toque no pêlo do cão já “é extraordinário para eles”. Olhar para a Mel é também terapia. “Por norma, uma criança com autismo não olha nos olhos de um adulto.” Mas se lhe pedem para descrever o focinho da cadela, a criança “vai indicar-nos os olhos e mantém-se ali a olhar”.

As sessões acontecem duas vezes por semana, podem ser em grupo ou individuais, e os exercícios dependem do plano de intervenção de cada criança. Para além das horas com a cadela, as crianças estão integradas em turmas com os restantes alunos. A terapia “influencia a interacção com os próprios colegas”, garante Carmen Cruz, coordenadora da Escola Básica do Tovim.

No sentido contrário, o facto de estes alunos frequentarem este espaço também tem efeito nas outras crianças da escola do Tovim. A responsável explica que ter contacto desde tão cedo com condições diferentes faz com que as restantes crianças lidem com a diferença e apreendam valores como “o altruísmo e a empatia”. Que “se coloquem no lugar do outro”, sintetiza.

O projeto está na fase-piloto e arrancou no final do ano lectivo passado. A presidente do CASPAE, Emília Bigotte, explica que há a possibilidade de alargá-lo a mais crianças, mas teria que envolver mais equipas e mais animais, o que está dependente de financiamento. “O cão também tem o seu horário de trabalho”, lembra a responsável, acrescentando que Mel e Ana Barbosa Ribeiro trabalham em regime de voluntariado.

Ultrapassar a fobia

Gaspar (nome fictício), também com seis anos e perito em puzzles, está ver um vídeo de desenhos animados com cães projectado numa tela da sala da escola onde anda no 1.º ano, enquanto Mel espera pacientemente sentada numa cadeira ao lado. Ver os episódios da Patrulha Pata, refere Cátia Rodrigues, é um dos métodos para combater a fobia a cães, caso de Gaspar que tem medo deles. 

Márcia Sarapicos é a mãe da Matilde, uma das crianças que participa nas sessões de terapia com a Mel. Conta que aceitou que a filha, de 10 anos, participasse no programa porque ela “entrava em pânico quando via um cão na rua”. Matilde, a frequentar o 4.º ano, gosta de animais, mas tem medo. Agora, depois de um ano de terapia, já se notam progressos. “Já vai fazer festas”, diz Márcia Sarapicos. E “mesmo na parte da comunicação, também teve alguma evolução”.

É esta vertente que Cátia Rodrigues também está a estudar. Ao longo da fase-piloto, a psicóloga tem vindo a avaliar a eficácia do tratamento, com atenção à parte cognitiva, a comportamentos sociais e à parte comunicacional, tendo igualmente em conta o contexto sociodemográfico destas crianças. No próximo mês já deve ter resultados.

Apesar de o projeto ainda estar numa fase inicial e de ainda não haver resultados científicos, o impacto que as sessões têm nas crianças é observável, diz. A satisfação de Paulo está patente no rasgado sorriso que ostenta enquanto leva Mel pela trela a percorrer uma linha recta. O sorriso de Paulo é também descritível através de uma reação química. Cátia Rodrigues refere que o contacto com o animal activa uma parte superfrontal do cérebro, num processo em que este vai produzir um neurotransmissor chamado oxitocina, que está associado à sensação de bem-estar. No sentido contrário, a produção da oxitocina vai diminuir outros neurotransmissores como o cortisol, “que aumenta o stress e a ansiedade”. “Daí as crianças terem uma melhor interacção com o cão do que connosco.”

Esse contacto com o animal leva a outros pequenos passos. Cátia Rodrigues conta que uma das crianças que frequentaram o programa tinha mutismo seletivo, perturbação na infância ligada à ansiedade ou fobia sociais. Não falava com os elementos do projecto nem com professores que não conhecia. “Ela saiu do projecto a dizer bom dia. São pequenas vitórias, mas que são grandes vitórias."

Fonte: Público

Atraso na fala das crianças por uso de ecrãs táteis

Smartphones e tablets são hoje em dia “brinquedos” comuns para as crianças mais novas. Basta entrar por exemplo, num restaurante para ver que se estiverem lá crianças, estão certamente “coladas” a estes dispositivos. É a forma mais fácil de mantê-las sossegadas. Os livros de leitura ou de pintura já não são suficientes para as distrair e acalmar enquanto esperam.´

Não é novidade para ninguém que desde tenra idade as crianças têm uma curiosidade surpreendente por tudo o que é utilizado pelos adultos, e se smartphones e Tablets são usados constantemente em frente às crianças, assim que estas os conseguem alcançar é claro que querem experimentar .
As crianças aprendem por imitação

O que vêem as crianças? Pais, mães, irmãos mais velhos “agarrados” aos seus smartphones várias vezes ao dia, e parece divertido. Mesmo antes de falar as crianças já pegam e manuseiam sem qualquer problema estes dispositivos. Os próprios pais dão-lhos a conhecer porque com a correria do dia-a-dia quando chegam a casa querem ter os filhos por perto mas que lhes deem um pouco de descanso.

Numa reunião feita este mês pela Sociedade Norte Americana de Pediatria, em S. Francisco, a Academia Americana de Pediatria apresentou um estudo feito com 894 crianças de idades compreendidas entre os 6 meses e os dois anos, entre 2011 e 2015. Um dos dados relevante é que aos 18 meses, as crianças usavam dispositivos de ecrã tátil, em média, 28 minutos por dia.
Risco de atraso na fala

Através de uma ferramenta que permite analisar atrasos na fala, os investigadores concluíram que cada período adicional de 30 minutos em frente aos aparelhos de ecrã tátil, aumenta em 49% esse tipo de atraso. Crianças com menos de dois anos que têm acesso a este tipo de dispositivos tendem a começar a falar mais tarde. Foi comunicado no entanto, que não há qualquer relação com todos os outros tipos de atraso como, linguagem corporal ou gestos ou ainda de interação pessoal.


Embora as novas diretivas pediátricas sugiram que se limite o tempo de uso desses ecrãs nos bebés e crianças, o uso de ‘smartphones’ e ‘tablets’ por parte de crianças tornou-se muito comum. Este é o primeiro estudo a relatar uma ligação entre o uso dos aparelhos de ecrã tátil e um aumento de risco de atraso na fala expressiva
Catherine Birken, investigadora e pediatra.

A Sociedade Norte Americana de Pediatria recomenda que se evite a utilização de smartphones e tablets por crianças com menos de 18 meses.

É importante que, antes dos dois anos a criança se relacione com familiares e outras pessoas, aprenda palavras básicas e brinque com brinquedos próprios para a sua idade. Aproveite para brincar com os seus filhos, rapidamente eles crescem, são momentos que não voltam.

Fonte: Ppwalre por indicação de Livresco

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Parque de atividades radicais adaptado para pessoas com deficiência em Vila do Conde

Um parque de lazer e atividades radicais adaptado para pessoas portadoras de deficiência vai abrir em Vila do Conde, num projeto pioneiro em Portugal, que pretende promover a inclusão.

A iniciativa partiu da instituição vila-condense MADI (Movimento de Apoio ao Diminuído Intelectual) que com verbas próprias investiu no equipamento, que será aberto ao público já no próximo mês de junho.

Apelidado Parque Raró, e localizado na freguesia de Ferreiró, num terreno contíguo ao polo que a instituição tem na localidade, o equipamento pretende ser o mais abrangente possível, incluindo diversas atividades preparadas para cidadãos com, e sem, deficiência.

Neste parque será possível um utilizador de cadeira de rodas ou um invisual completar, sempre com assistência, um percurso de arborismo ou até uma descida em slide, uma vez que os equipamentos foram concebidos com exigências especiais.

Além das atividades radicais, o Parque Raró vai também acolher outras zonas de lazer e sensoriais, além de uma quinta ambiental/pedagógica, com vários animais, e também um borboletário.

O parque foi projetado para receber famílias, grupos de escolas, instituições a até de empresas, e terá sempre presente um grupo de técnicos com formação em práticas de segurança para supervisionar as atividades.

"A ideia inicial é durante a semana funcionarmos apenas com marcações, mais direcionadas para escolas e outras instituições, mas ao fim de semana estarmos abertos ao todo o público", começou por explicar Elisa Ferraz, que pertence à direcção do MADI.

A dirigente explicou, ainda, que a construção do equipamento, assim como a sua manutenção, "foi executada com o apoio dos utentes do MADI e familiares", mas que também a comunidade local se empenhou no projeto.

"Sempre promovemos que o MADI se integrasse na comunidade, e neste projeto os próprios vizinhos vieram-nos ajudar na construção e até nos ofereceram materiais e inclusive animais para termos no parque", descreveu.

Segundo Elisa Ferraz, o equipamento pretende ser "um espaço inclusivo, preparado para cidadãos com deficiência, mas também para famílias, promovendo o contacto com a natureza e também com a missão do MADI".

Os preços das entradas terão alguma diferenciação para grupos e visitas escolares e de outras instituições, mas rondarão os cinco euros para os adultos e três euros para crianças.

"A ideia é que o parque possa também ser uma fonte de receita para nos ajudar a fazer face às despesas da instituição, porque a sustentabilidade do MADI é sempre uma preocupação", completou Elisa Ferraz.

A inauguração do Parque Raró acontecerá a 28 de maio, enquanto a abertura ao público está agendado para 11 de junho.

Fonte: Público

Alunos portugueses têm horas a mais de aulas, diz especialista da OCDE

Andreas Schleicher, diretor da OCDE para a educação e competências, defende que os jovens são bons a reproduzir conhecimentos mas, em geral, têm dificuldades em extrapolar e aplicar o que aprendem.

Os jovens portugueses passam muito tempo nas aulas e os professores têm pouco tempo para fazer outras coisas além de dar matéria. O diagnóstico é de Andreas Schleicher, diretor da OCDE para a educação e competências (...).

"Se analisarmos entre os diferentes países descobrimos que quanto mais horas de aulas têm, piores são os resultados nos testes PISA. A resposta está na qualidade da aprendizagem, que é sempre produto da igualdade de oportunidades e da qualidade do ensino. Portugal investiu muito na quantidade do ensino, os alunos têm muitas horas de aulas. É tempo de investir mais na qualidade do ensino. É este o desafio para Portugal, não pensar que precisam de ter mais horas do mesmo mas, sim, usar o tempo dos alunos e dos professores de forma mais eficiente”.

Numa análise crítica em relação ao ensino em Portugal, o especialista diz que “uma das razões pelas quais não está a ter melhores resultados é porque os alunos são muito bons a reproduzir conhecimentos mas ainda não conseguem muito bem extrapolar os conhecimentos e aplicá-los em situações não familiares. É isso mesmo que o mundo espera deles. Acho que esta é uma área que deveria merecer mais atenção”, recomenda.

Outra crítica é o excesso de chumbos. “Repetir o ano não ajuda os alunos a melhorar, é estigmatizante e custa ao país uma enorme quantidade de dinheiro, entre 15 e 20 mil euros por cada aluno repetente”. Qual é a solução para isso? “A resposta não passa pela progressão automática mas por uma sinalização mais precoce de quando os alunos estão a ficar para trás. É preciso dar mais apoio aos professores, os professores em Portugal continuam a ter muito pouco tempo para fazer outras coisas além de dar matéria”.

Onde tem havido indicadores mais positivos é no abandono escolar, onde os números têm caído mas continuam entre os mais elevados da Europa. Ainda assim, Andreas Schleicher diz que “a redução do abandono escolar não é fruto de medidas específicas mas da falta de crescimento económico — por não encontrarem alternativas no mercado de trabalho, alguns estudantes mantêm-se na escola”. A prova de fogo será quando a economia melhorar e houver alternativas no mercado de trabalho, os jovens vão continuar na escola?

Fonte: Observador