quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Número de pessoas com deficiência a trabalhar duplica mas aumenta desemprego de longa duração

“Apesar de o número de colocações profissionais de pessoas com deficiência registadas pelo IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional] se manter bastante reduzido (10% do número total de pessoas com deficiência desempregadas registadas em 2016), assinala-se a progressão positiva deste indicador, com um aumento de 138% no número de colocações entre 2011 e 2016″, refere o relatório do Observatório da Deficiência e dos Direitos Humanos (ODDH).

O relatório “Pessoas com Deficiência em Portugal — Indicadores de Direitos Humanos 2017″ assinala uma redução de 6,7% no desemprego de curta duração, mas salienta que o desemprego de longa duração (mais de 12 meses) registou um agravamento na ordem dos 60% entre 2011 e 2016.

“Apesar de se verificar uma redução global do desemprego” registado entre 2011 e 2016 (18,8%), essa melhoria não se alargou às pessoas com deficiência, registando-se inclusivamente um agravamento de 26,7% no número de pessoas registadas nos centros de emprego”, refere o documento.

Esse agravamento do desemprego foi mais elevado entre as mulheres com deficiência (37,2%) do que entre os homens com deficiência (20,0%), embora no final de 2016 houvesse mais homens desempregados (7.645) do que mulheres (5.538).

O observatório destaca o aumento que tem vindo a acontecer do rácio de trabalhadores com deficiência na administração pública, atingindo os 2,30% em 2016.

Já no setor privado (empresas com mais de 10 trabalhadores), apesar de ter registado um aumento no número de trabalhadores com deficiência, a taxa de emprego era inferior a 1% em 2015.

A maioria dos trabalhadores com deficiência no setor privado possui qualificações ao nível do ensino secundário (29%) ou superior (25%), “o que sugere um impacto da escolaridade no emprego, que se regista também na população portuguesa em geral”, refere o documento que sistematiza informação, atualmente dispersa, sobre a situação das pessoas com deficiência em Portugal, a partir de fontes secundárias, nacionais e internacionais

O relatório conclui que, tendo em conta que persistem múltiplas barreiras ao exercício de direitos humanos dos cidadãos portugueses com deficiência, “importa acompanhar e avaliar as mudanças que vão sendo introduzidas, quer no plano legislativo, quer no plano social, para que se possa medir o seu impacto, avaliar os progressos conseguidos e assim informar e orientar o sentido das políticas públicas”.

Pessoas com deficiência são as que apresentam maior risco de pobreza

As pessoas com deficiência que vivem em agregados com baixa intensidade laboral e menores rendimentos são as que apresentam maior risco de pobreza, revela o relatório.

“O maior risco de pobreza é identificado entre as pessoas com deficiência que residem em agregados com baixa intensidade laboral (23,1%) ou baixo rendimento (24,8%)”, refere o relatório “Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos 2017”.

Segundo o documento, o risco de pobreza e exclusão é experienciado sobretudo em agregados com pessoas com deficiências graves (36,5%) não havendo diferenças expressivas entre homens e mulheres.

A nível nacional, o risco acrescido de pobreza poderá ser explicado por fatores como os menores níveis de educação, menores taxas de emprego, menores rendimentos de trabalho e despesas com cuidados de saúde mais elevadas das pessoas com de­ficiência em comparação com as pessoas sem deficiência, adianta.

O relatório, apresentado no II Encontro do ODDH – Deficiência, Cidadania e Inovação Social, que decorre em Lisboa, destaca ainda o aumento de 58%, entre 2005 e 2016, do número de beneficiários da bonificação do abono de família, “o que pode ser visto como um indicador de empobrecimento destas famílias”.

Na área da discriminação, o documento refere que houve um aumento de queixas por práticas discriminatórias contra pessoas com deficiência entre 2012 e 2015, mas que baixou em 2016.

No ano passado, foram realizadas 284 queixas de discriminação com base na deficiência, das quais 199 foram recebidas pela Provedoria de Justiça, 14 pelo Instituto Nacional para a Reabilitação (INR) e 71 por outras entidades.

De acordo com o relatório do Observatório, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa), a maior parte dos processos foi arquivado por resolução (92), falta de indícios de prática discriminatória (58), desistência (dois2) e inadmissibilidade legal do procedimento (dois).

A acessibilidade foi a área que motivou o maior número de queixas, com uma média de 48 reclamações entre 2011 e 2016, seguida da educação (34) e da saúde (25), adianta, sublinhando que a deficiência é o segundo motivo mais apontado para a discriminação em Portugal e é aquele onde se regista a maior diferença em relação à média da União Europeia.

O relatório analisa ainda a disponibilidade das respostas sociais no âmbito da deficiência, revelando que as residências autónomas permanecem uma resposta residual, mesmo nos grandes centros urbanos face à capacidade instalada de lares residenciais, apesar de constituírem a resposta mais congruente com um paradigma de direitos humanos.

Segundo dados do Censos 2011, a prevalência da população residente com cinco ou mais anos com algum tipo de deficiência ou incapacidade se situa nos 18%.

O relatório, divulgado na data em que se assinala o 11.º aniversário da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, pretendeu sistematizar informação sobre a situação das pessoas com deficiência em Portugal a partir de fontes secundárias, nacionais e internacionais, e extrair indicadores através dos quais se possa aferir o progresso alcançado na realização dos direitos humanos das pessoas com deficiência em Portugal.

Relatório realça progressos da escola inclusiva, mas quer mais apoio técnico para alunos

O relatório do Observatório da Deficiência destaca os progressos alcançados na promoção da escola inclusiva, que possibilitaram a integração de 99% dos estudantes com deficiência no ensino regular, mas alerta para a necessidade de mais apoio técnico aos alunos.

“Portugal tem dado alguns passos importantes para a concretização do paradigma da escola inclusiva no decurso da escolaridade obrigatória”, que permitiram que 86% destes alunos frequentem a escola pública, refere o documento.

O observatório aponta o aumento do número de alunos que frequentam o terceiro ciclo e o ensino secundário, mas chama a atenção para “a limitação de recursos atribuídos à concretização destas políticas, nomeadamente no que diz respeito ao número de horas de apoio técnico disponibilizado aos alunos”.

“Enquanto o número de horas de acompanhamento por parte dos profissionais afetos às escolas se manteve relativamente estável, o número de horas mensais de apoio terapêutico prestado pelos CRI [Centros de Recursos para a Inclusão] sofreu um corte acentuado, passando quase para metade a partir do ano letivo 2015-2016”, sublinha o relatório “Pessoas com Deficiência em Portugal – Indicadores de Direitos Humanos 2017”.

Por outro lado, o rácio do número de estudantes com necessidades educativas especiais por cada docente de educação especial” tem “sofrido uma ligeira diminuição desde o ano letivo 2014-2015, tendo passado de 12 para 11 alunos por docente em 2016-2017”, adianta o documento que sistematiza informação, atualmente dispersa, sobre a situação das pessoas com deficiência em Portugal, a partir de fontes secundárias, nacionais e internacionais.

A legislação determina que os alunos com necessidades especiais de educação possam beneficiar de uma redução do tamanho das turmas (12), desde que aí passem pelo menos 60% do tempo letivo.

Contudo, os dados relativos à percentagem de tempo que estudantes com Currículo Específico Individual ou que frequentam uma Unidade Especializada passam com a turma revelam que “a maioria destes alunos continua a não beneficiar de uma educação verdadeiramente inclusiva, dado que mais de metade (57%) passa menos de 40% do tempo letivo com a turma e quase 30% passam menos de 20%”.

Segundo o documento, persiste “uma grande disparidade” entre o número de alunas (38%) e de alunos (62%) com necessidades educativas especiais.

“Mesmo considerando que nestas faixas etárias existe na população em geral um maior número de rapazes do que de raparigas e que essa diferença é superior no caso de rapazes e raparigas com deficiência, essas diferenças não são suficientes para explicar esta assimetria de género”, sublinha.

O observatório aponta que este desfasamento poderá estar relacionado com o subdiagnóstico da deficiência na população feminina, uma tendência evidenciada por estudos recentes realizados por exemplo na população com autismo.

Fonte: Sapo24 por indicação de Livresco

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Relatório realça progressos da escola inclusiva, mas pede mais apoio técnico aos alunos

Um relatório do Observatório da Deficiência destaca os progressos alcançados na promoção da escola inclusiva, que possibilitaram a integração de 99% dos estudantes com deficiência no ensino regular, mas alerta para a necessidade de mais apoio técnico aos alunos.

"Portugal tem dado alguns passos importantes para a concretização do paradigma da escola inclusiva no decurso da escolaridade obrigatória", que permitiram que 86% destes alunos frequentem a escola pública, refere o relatório do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH), apresentado no II Encontro do ODDH - Deficiência, Cidadania e Inovação Social, que está a decorrer em Lisboa.

O observatório aponta o aumento do número de alunos que frequentam o terceiro ciclo e o ensino secundário, mas chama a atenção para "a limitação de recursos atribuídos à concretização destas políticas, nomeadamente no que diz respeito ao número de horas de apoio técnico disponibilizado aos alunos".

"Enquanto o número de horas de acompanhamento por parte dos profissionais afetos às escolas se manteve relativamente estável, o número de horas mensais de apoio terapêutico prestado pelos CRI [Centros de Recursos para a Inclusão] sofreu um corte acentuado, passando quase para metade a partir do ano letivo 2015-2016", sublinha o relatório "Pessoas com Deficiência em Portugal - Indicadores de Direitos Humanos 2017".

Por outro lado, o rácio do número de estudantes com necessidades educativas especiais por cada docente de educação especial" tem "sofrido uma ligeira diminuição desde o ano letivo 2014-2015, tendo passado de 12 para 11 alunos por docente em 2016-2017", adianta o documento que sistematiza informação, atualmente dispersa, sobre a situação das pessoas com deficiência em Portugal, a partir de fontes secundárias, nacionais e internacionais.

A legislação determina que os alunos com necessidades especiais de educação possam beneficiar de uma redução do tamanho das turmas (12), desde que aí passem pelo menos 60% do tempo lectivo.

Contudo, os dados relativos à percentagem de tempo que estudantes com Currículo Específico Individual ou que frequentam uma Unidade Especializada passam com a turma revelam que "a maioria destes alunos continua a não beneficiar de uma educação verdadeiramente inclusiva, dado que mais de metade (57%) passa menos de 40% do tempo letivo com a turma e quase 30% passam menos de 20%".

Segundo o documento, persiste "uma grande disparidade" entre o número de alunas (38%) e de alunos (62%) com necessidades educativas especiais.

"Mesmo considerando que nestas faixas etárias existe na população em geral um maior número de rapazes do que de raparigas e que essa diferença é superior no caso de rapazes e raparigas com deficiência, essas diferenças não são suficientes para explicar esta assimetria de género", sublinha.

O observatório aponta que este desfasamento poderá estar relacionado com o subdiagnóstico da deficiência na população feminina, uma tendência evidenciada por estudos recentes realizados por exemplo na população com autismo.

Fonte: Público

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Politécnico de Leiria e crianças do ensino básico do concelho criam e editam livro inclusivo


“A Rainha das Rosas” é um livro único, multiformato, que foi criado de raiz pelo Centro de Recursos para a Inclusão Digital do Politécnico de Leiria (CRID/IPLeiria) e 96 crianças do concelho. O livro é único, tem na sua génese o conceito de livro para todos, e reúne, num único exemplar, texto aumentado, braille e imagens em relevo para crianças cegas ou com baixa visão, pictogramas para crianças com incapacidade intelectual ou limitações de outra natureza, e inclui um código Quick Response (QR), que remete para um site onde estão disponíveis as versões áudiolivro, para crianças cegas, e vídeolivro em Língua Gestual Portuguesa, para crianças surdas.

O livro é um projeto desenvolvido em parceria entre a Associação de Pais das Escolas da Freguesia de Cortes e o CRID/IPLeiria, que pretendem contribuir para incutir nas crianças a aceitação e o respeito pelos outros, e tornou-as, para isso, atores dessa mudança através da criação da história, ilustração e montagem da obra. O texto e a ilustração do livro são da autoria das crianças do Jardim de Infância de Reixida (14) e de Famalicão (18), e da Escola Básica de Reixida (64), a tradução e adaptação para pictogramas, e a coordenação do projeto multiformato são de Célia Sousa, responsável do CRID/IPLeiria. 

Célia Sousa adianta que «com uma multiplicidade de suportes num único livro, “A Rainha das Rosas” é adequado para desenvolver atividades de leitura com todas as crianças, colmatando assim uma (ainda) grave e premente falha no mercado. O livro tem como principal objetivo promover a participação ativa das crianças, permitindo uma utilização versátil com recurso a diferentes formatos de leitura». 

«Toda a equipa, desde o CRID, a Associação de Pais e os professores, acreditamos que este projeto vai contribuir determinantemente para que estes meninos entendam o outro como semelhante, desenvolvam valores como a empatia e a solidariedade. E contribui também para uma sociedade em que os valores da igualdade, retidão, justiça e reconhecimento dos direitos de cada um vão deixar de ser um sonho, para fazer parte do nosso dia-a-dia, de forma natural», salienta Célia Sousa.

Em junho de 2016 o CRID/IPLeiria tinha já dado passos firmes na inclusão infantil, com o “Piu Caganita”, o primeiro livro infantil multiformato em Portugal, coeditado com a autora e ilustradora Tânia Bailão Lopes.

O livro “A Rainha” das Rosas tem as suas versões áudiolivro e vídeolivro no site da Associação de Pais das Escolas da Freguesia de Cortes, e o projeto contou com o apoio de diversos mecenas: Escola Superior de Educação e Ciências Sociais e Unidade de Investigação Inclusão e Acessibilidade em Ação do Politécnico de Leiria, Papelaria Americana, Fundação Caixa de Crédito Agrícola, Escola Secundária Domingos Sequeira, União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes (UFLPBC), e Câmara Municipal de Leiria.

“A Rainha das Rosas”, uma edição limitada de apenas 1.000 exemplares, tem o valor de 10 euros, e está à venda no CRID/IPLeiria, na Americana, e também através da Associação de Pais no dia da sua apresentação, a 15 de dezembro, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, numa cerimónia para dar a conhecer a obra, em que todos os meninos subirão ao palco e darão autógrafos.

Fonte: Recebido por correio eletrónico

Fundação AFID Diferença recebe fundos da venda de agenda solidária “Todos Diferentes, Corações Iguais”


Um ano após o lançamento da campanha solidária, a Fundação AFID Diferença recebeu ontem na sua sede os fundos arrecadados com a venda da agenda “Todos Diferentes, Corações Iguais” pelas mãos de Mafalda Ribeiro, oradora motivacional, e de Ana Rita Ramos, diretora da editora Have a Nice Day.

Em comemoração do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, foi na Fundação AFID Diferença que Mafalda Ribeiro, oradora motivacional, em conjunto com Ana Rita Ramos, diretora da editora Have a Nice Day, entregaram em mãos ao presidente da AFID, Dr. Domingos Rosa, o cheque de 2.716€ valor arrecadado com a venda da agenda solidária “Todos Diferentes, Corações Iguais”.

Recorde-se que a agenda “Todos Diferentes, Corações Iguais” foi criada no âmbito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência em 2016 e distribuída com o jornal Público onde 1€ das vendas revertiam para a Fundação AFID Diferença.

“Para mim estar associada a um projeto desta envergadura e poder dar a cara por ele, como estou a fazer hoje, é importante. Mais do que o produto em si e o formato, com a agenda e o caderno, o importante é o conteúdo da mensagem que passa” afirma Mafalda Ribeiro, oradora motivacional e autora das frases na agenda solidária. “Para nós era importante que este evento acontecesse para agradecer a todos e motivá-los para que em 2018 continuem a ser solidários, não só com a AFID, mas com tantas outras instituições que precisam”, reforça.

“É com muito orgulho que estamos aqui hoje. Para nós era muito importante fechar este ciclo e fazer este balanço” explica Ana Rita Ramos, diretora da Have A Nice Day. “O trabalho que é feito na AFID é absolutamente extraordinário. Eu tenho vindo a acompanhar este constante crescimento da AFID, crescimento esse que nunca é desacompanhado de humanização e emoção.”

Esta iniciativa foi uma ideia bem acolhida desde o início. É uma forma de consciencializarmos as pessoas para a necessidade da inclusão, não só no dia 3 de dezembro, mas todos os dias do ano. Esta agenda transformou-se numa grande causa e, com o apoio da Mafalda Ribeiro e da Ana Rita Ramos, tornou-se muito mais especial,”  reitera Domingos Rosa, presidente da AFID.

Com frases de Mafalda Ribeiro ilustradas com os desenhos de Bruno Gaspar, a agenda promove um mundo mais inclusivo durante os 365 dias do ano. O evento contou também com a presença do vereador do pelouro da Cultura, Imprensa e Relações Públicas da Câmara Municipal da Amadora, José Agostinho Marques e com o grupo musical AFID Ritmo.

Fonte: Recebido por correio eletrónico

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Criação do Grupo de Trabalho para as Necessidades Especiais na Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

O Despacho n.º 10734/2017 procede à criação do Grupo de Trabalho para as Necessidades Especiais na Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (GT-NECTES).

O GT-NECTES tem como missão o aconselhamento do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) na definição de estratégias que promovam o acesso e a inclusão de cidadãos com necessidades especiais no ensino superior, nas atividades académicas e no SCTN, mediante a produção de estudos, pareceres e recomendações.

O GT-NECTES atua sobre os seguintes eixos de intervenção:
1) Legislação e regulamentação existentes no âmbito da inclusão de pessoas com necessidades especiais nas IES e no SCTN;
2) Acessibilidade e universalidade nos meios e recursos usados e disponibilizados ao nível das IES e do SCTN, nomeadamente ao nível das acessibilidades física e digital;
3) Condições de transição e acesso entre o Ensino Secundário e o Ensino Superior;
4) Frequência do Ensino Superior, integração na vida académica, transição para a vida ativa e/ou integração no SCTN.

O GT-NECTES é constituído pela Comissão Consultiva e por quatro subgrupos organizados de acordo com os eixos de intervenção definidos.

A Comissão Consultiva é o órgão de consulta e reflexão sobre os resultados apresentados pelos Subgrupos do GT-NECTES.

domingo, 10 de dezembro de 2017

“É possível mudar o cérebro dos adolescentes. O que é bom e mau”

A neurocientista britânica Sarah-Jayne Blakemore costuma contar uma história para mostrar uma das muitas diferenças entre crianças e adolescentes. Quando os mais pequeninos se irritam, podemos tentar acalmá-los sugerindo cantar a sua canção favorita. E, muitas vezes, isso resulta. Para os adolescentes, esta estratégia pode ser usada em sentido contrário, constituindo nada mais, nada menos do que uma ameaça. “Ou paras de fazer isso ou canto aqui a tua canção favorita” é uma frase capaz de os travar pela vergonha.

Quando chegam à adolescência, os filhos afastam-se dos pais, aproximam-se do seu grupo de pares, correm mais riscos, são impulsivos. Além das hormonas, do ambiente e da genética, o seu cérebro está a mudar. Pode parecer óbvio, mas a descoberta de que o cérebro continua a desenvolver-se durante a adolescência, e não apenas durante os primeiros cinco anos de vida, é recente.

Uma boa parte dos créditos por esse conhecimento sobre a plasticidade do cérebro adolescente pertence à investigadora do University College de Londres que esteve em Lisboa numa conferência, organizada pela Fundação Manuel dos Santos, em homenagem a João Lobo Antunes, para falar sobre “O cérebro adolescente”. Graças às novas tecnologias que nos permitem espreitar para este misterioso mundo, sabemos hoje que é possível mudar o cérebro dos adolescentes. Mas ainda sobram muitas perguntas que nos podem ajudar a perceber como e o que fazer para um final (adulto) feliz. Numa entrevista ao P2, a cientista fala sobre o que aprendemos com as imagens cerebrais que denunciam as diferentes estratégias cognitivas nesta conturbada fase da vida. Ficam também alguns conselhos simples. É preciso que todos (pais e filhos) saibam que esta é uma fase de mudança e que é transitória. Recomenda-se ainda uma boa dose de paciência. Tanta (ou mais) como a que tivemos quando eles eram crianças.

O que mudou nos últimos anos sobre o que sabemos dos adolescentes?
Até há cerca de 20 anos havia muita coisa que não sabíamos sobre o cérebro dos adolescentes. Não tínhamos a tecnologia para olhar para dentro de um cérebro humano a funcionar e perceber como muda ao longo da vida. Não sabíamos quando o cérebro parava de se desenvolver. Nos últimos 20 anos, os cientistas têm sido capazes de usar técnicas como a ressonância magnética, funcional e estrutural, para despistar mudanças no cérebro de crianças e adolescentes. Essa investigação, que está a ser feita em todo o mundo, já mostrou que o cérebro não pára de se desenvolver na infância, mas, na verdade, continua a desenvolver-se, em termos de estrutura e funções, ao longo da vida. Durante a infância e também durante a adolescência e no princípio da fase adulta. 

Esse processo de desenvolvimento explica o comportamento de um adolescente? Correr riscos, afastar-se dos pais, ser influenciado sobretudo pelos seus pares.
Provavelmente. Até sabermos que o cérebro continua a desenvolver-se na adolescência, todos estes comportamentos típicos dos adolescentes eram atribuídos a alterações hormonais, mudanças no ambiente, sociais, esse tipo de factores. Agora percebemos que as mudanças de comportamento na adolescência são causadas por uma combinação de factores diferentes, incluindo mudanças muito substanciais no cérebro.

E o que podemos fazer com esse conhecimento?
É útil perceber que correr riscos, a consciência de si mesmo, a influência dos pares e a impulsividade, que são comportamentos mais evidentes na adolescência comparando com outras idades, acontecem por razões biológicas, adaptativas. Não é nada que os adolescentes tenham possibilidade de controlar. São coisas que precisam de fazer e o seu cérebro está a mudar de uma forma que permite que as façam. Estes comportamentos provavelmente coincidem com pressões evolutivas para que se tornem independentes dos pais, para explorar o ambiente que os rodeia, correr riscos, experimentar, para se ligarem aos seus pares, ao seu grupo, para que, eventualmente, muitos anos depois se tornem adultos independentes.

Mas podemos ajudá-los ou resta-nos ser pacientes?
Somos pacientes com as crianças, permitimos que se desenvolvam. Eu tenho dois filhos. Sei que permitimos que façam tolices, tomem decisões tolas, ajudamo-los, sentimos empatia, não esperamos que sejam completamente independentes e que tomem excelentes decisões para eles próprios. Precisamos de fazer isso com os adolescentes. É a mesma coisa. Eles também estão a passar por mudanças substanciais do seu desenvolvimento cognitivo. Como adultos, colocamos muito mais pressão e expectativas nos adolescentes do que nas crianças pequenas. Talvez porque os adolescentes se pareçam com adultos. Esperamos que se comportem como adultos e que tomem boas decisões e que sejam capazes de planear; todo o tipo de comportamentos que, na verdade, sabemos que ainda estão em desenvolvimento.

Por vezes, as coisas correm mal nesta altura da vida, seja na escola seja noutro tipo de situações mais graves, que envolvem crimes, drogas ou álcool. Como cientista, acredita que é possível interferir neste processo de desenvolvimento e, assim, prevenir ou reabilitar estes casos problemáticos?
Sim. As neurociências já mostraram que o cérebro dos adolescentes tem muita plasticidade, é possível mudá-lo. O que é bom e mau, ao mesmo tempo. É mau porque significa que, se o cérebro está a mudar na adolescência, os acontecimentos stressantes no ambiente que os rodeiam podem ser uma má influência para o desenvolvimento do cérebro. Mas também existe aqui uma oportunidade.

Na área da educação e da reabilitação?
Sim, é uma potencial oportunidade em que intervenções, aprendizagens, reabilitações terão um grande impacto, porque o cérebro ainda é maleável. Muito maleável. Se tivermos um adolescente que não teve muito bons resultados na escola primária, por exemplo, não é demasiado tarde para esperar uma mudança. O cérebro ainda se está a adaptar e a aprender.

Encontrou diferenças entre rapazes e raparigas?
Na verdade, não. Os estudos iniciais sobre o desenvolvimento cerebral sugeriam uma diferença de género. Isso foi há 17 anos. Desde essa altura, estudos com mais participantes, apoiados em técnicas de imagem com mais qualidade e melhores técnicas de análise, mostraram que, na verdade, essas diferenças de género não existem de forma evidente.

Mesmo olhando para fenómenos como a diminuição da matéria cinzenta e o aumento da matéria branca do cérebro que já se percebeu que ocorrem neste período da adolescência?
Sim, é quase a mesma coisa nos rapazes e nas raparigas. Acho que isso faz sentido, porque, mesmo que estejam lá, há tanta sobreposição entre os dois géneros que é muito difícil ver diferenças nas médias.

Então não há razão para dizer que as raparigas “crescem” mais rapidamente, são mais sensatas, mais “adultas”?
Essa é uma grande questão. Há tantos estereótipos de género nas culturas.

Isso é um estereótipo?
Não sei. Mas não há provas científicas que mostrem que isso não passa de um estereótipo. Embora, por outro lado, se saiba que há diferenças de género, por exemplo nas doenças mentais. A seguir à puberdade, a depressão é mais comum nas raparigas do que nos rapazes. O mesmo pode dizer-se para os distúrbios alimentares e automutilações. As adições, por outro lado, são ligeiramente mais comuns em rapazes do que em raparigas. Ou seja, há diferenças entre géneros, mas é muito difícil saber por que é que elas existem. Se isso é o resultado de diferenças hormonais... acho que parcialmente será por causa das hormonas, porque as diferenças de género revelam-se na puberdade, quando as hormonas estão a mudar.

Mas também pode ser, em parte, por causa das expectativas. As expectativas sociais para as mulheres são muito diferentes das que existem para os rapazes. Podemos ver isso de forma clara nos distúrbios alimentares, que, já agora, estão a tornar-se mais comuns nos rapazes. Mais uma vez julgo que isso acontece porque a sociedade está a colocar mais pressão e expectativas na imagem que os rapazes devem ter: musculados, bronzeados, e essas coisas. Mas há mais pressão nas raparigas do que nos rapazes. Sobretudo na sua aparência.

Estas descobertas sobre o cérebro dos adolescentes são recentes e, por isso, é impossível fazer comparações. Porém, acredita que este mundo de informação, tecnologias, redes sociais, jogos de computador, novas formas de comunicar, que envolve os adolescentes de hoje, está a mudar o seu cérebro?
Não sabemos, não temos essas informações, mas sabemos que o ambiente muda o cérebro. Sabemos que isso acontece na adolescência. Então, parece-me lógico assumir que passar muito tempo em frente de um ecrã nas redes sociais, nos jogos de computador, funcionará como um input ambiental. Portanto, provavelmente, vai influenciar o desenvolvimento do cérebro. No entanto, o mais importante é saber se isso é bom ou mau. Se isso danifica o cérebro ou não. E isso não sabemos. É importante lembrar que, para cada tempo e nova tecnologia que surgiram, se olharmos, por exemplo, para a televisão, rádio, imprensa escrita, mesmo recuando até à invenção da escrita, os adultos dessas gerações também se preocuparam com as consequências destas tecnologias nas mentes dos mais jovens. Platão, por exemplo, tem citações muito interessantes sobre o impacto da escrita. Ele diz que a escrita iria destruir as memórias dos mais jovens, porque eles já não iriam precisar de se lembrar de nada, porque tudo estaria escrito. Portanto, não devemos entrar em pânico sem conhecer exactamente as provas científicas sobre como os ecrãs estarão a afectar o desenvolvimento do cérebro. Actualmente, não temos essas provas.

A sua investigação nesta área começou pelas doenças mentais, mais precisamente pela esquizofrenia, sabendo que muitas delas se manifestam na adolescência. Ainda está à procura dos “gatilhos” destas doenças no cérebro dos adolescentes?
Não estou a trabalhar nisso. Estou a trabalhar ainda no desenvolvimento típico do cérebro dos adolescentes. Ainda há muitas perguntas sem resposta sobre isso. Mas há outros investigadores que estão a procurar neuroprecursores de doenças mentais. Esses estudos ainda estão no início, mas há algumas indicações que mostram que o cérebro se desenvolve de forma diferente, na sua estrutura e funções, em adolescentes que acabam por desenvolver esquizofrenia ou outras doenças mentais.

Do que está à procura no cérebro dos adolescentes?
Estamos a olhar para a plasticidade do cérebro e a tentar perceber se é particularmente bom a aprender certos tipos de informação na adolescência. Se é um período especial para a aprendizagem.

Recentemente foi publicado um artigo por membros da sua equipa sobre as capacidades para a matemática. É esse tipo de estudos que estão a fazer?
Sim. Mostrámos que o raciocínio não verbal, relacionado com a matemática, acaba por ser mais bem apreendido na adolescência mais tardia do que na inicial. Isso contradiz o que a maioria das políticas educativas defende, acreditando que este tipo de aprendizagem diminui com a idade.

O início da adolescência tem um marco biológico que é o início da puberdade. Costuma dizer que está estabelecido que o fim da adolescência acontece quando aquele indivíduo conquista um papel independente na sociedade. O que, na sociedade em que vivemos, pode significar os 30 anos. Não há nenhum marco na evolução do cérebro que possa servir para separar os adolescentes dos adultos?
Não sabemos quando é que o cérebro se torna adulto. Julgo que será diferente para cada pessoa. Há uma série de regiões do cérebro que param de mudar em idades diferentes. Um dia poderemos ter um neuromarcador para quando o cérebro se torna adulto. Porém, neste momento, ainda não temos.

Mencionou a influência das hormonas, do ambiente social, entre outros factores, no desenvolvimento do cérebro dos adolescentes. E a genética?
A genética, obviamente, interage com o ambiente e influencia o desenvolvimento do cérebro. Já há alguns trabalhos que mostram isso. Por exemplo, a esquizofrenia é mais comum em jovens que são emigrantes, que se mudaram para diferentes populações e sociedades, e mais comum em jovens que fumam muita cannabis. Mas isso só é verdade para as pessoas que têm uma predisposição genética para a doença. Assim, o ambiente pode funcionar como um “gatilho” para o factor de risco genético.

O que pode dizer aos pais que têm ou vão ter adolescentes em casa que possa ajudá-los a lidar com esta fase?
Acredito que é muito útil ajudar os pais e os adolescentes a perceber as mudanças que eles estão a atravessar e explicar-lhes a ciência que está por detrás destas mudanças. Trabalhei com muitos adolescentes que acharam muito útil o que descobriram sobre o seu cérebro. Lembro-me de ser adolescente e sei que teria sido útil saber o que se estava a passar no meu cérebro e, sobretudo, saber que isso não iria durar para sempre.

Isso não é dar-lhes uma desculpa? Eles podem fazer o que quiserem justificando apenas que é o cérebro que está a mudar.
Talvez, mas essa desculpa serve para todos nós. Tudo o que fazemos é causado pelo nosso cérebro. Todos podemos fazer coisas más e dizer, bem, não fui eu, foi o meu cérebro. Na verdade, acho que os ajuda saber estas coisas. Dá-lhes a garantia, que os pode tranquilizar, de que esta fase é transitória e que está a acontecer por uma razão, e que não são só eles que estão a passar por isso.

Foi uma adolescente difícil?
Acho que não fui muito difícil, era uma adolescente típica. Fiz tudo o que o adolescente normalmente faz. Era muito ligada aos meus amigos, corri riscos que hoje não correria, tomei algumas más decisões e esse tipo de coisas. Lembro-me que era muito ligada à música e à moda. Aliás, a ligação à música é muito comum no período da adolescência. Curiosamente, a música que ouvimos nessa altura é algo que continuamos a gostar de ouvir mais tarde. Não tudo, mas uma parte. Há um lugar especial da música na adolescência.

A música poderia ser uma boa ferramenta para trabalhar e perceber o desenvolvimento do cérebro? Se colocássemos um adolescente a ouvir heavy metal durante um ano inteiro e outro a ouvir música clássica, podíamos ver diferenças no desenvolvimento do cérebro?
É um bom exemplo de uma experiência hipotética que, infelizmente, por razões óbvias, não podemos fazer. Se começássemos com um grupo de adolescentes exactamente iguais, com os mesmos antecedentes socioeconómicos, a mesma escola, o sítio onde vivem, o mesmo QI, o género e tudo o resto, e fizéssemos uma experiência, dividindo-os em dois grupos, expondo um a música clássica e outro a música pop, durante um ano, uma hora por dia... sim. Eu estaria à espera de ver diferenças no cérebro destes adolescentes, ainda que fosse com manifestações muito subtis. Não seria uma surpresa para mim. Algo que também poderia traduzir a forma como a música os fez sentir.

A influência das drogas e do álcool será mais fácil de observar?
É outro tipo de experiências que não podemos fazer, por razões éticas. O que alguns investigadores procuram fazer é olhar para as diferenças no desenvolvimento entre grupos de crianças que beberam muito álcool e outros que não beberam, ou que fumaram muita cannabis e outros que não o fizeram, mas não é uma experiência, é uma observação.

Um dos projectos (MYRIAD) em que está envolvida visa o desenvolvimento de programas escolares apoiados no treino de mindfulness para adolescentes e professores. Essa é uma experiência que já se pode fazer?
Sim, tivemos de passar por procedimentos éticos muito cuidadosos e assegurar que vamos monitorizar estas crianças para detectar qualquer possível efeito negativo. Estamos confiantes de que não vamos ter efeitos negativos, mas vamos estar atentos. Aliás, esperamos que a meditação mindfulness tenha efeitos positivos, com a sensação de bem-estar e menos pressão nos adolescentes que vão receber este treino. Mas ainda não começámos este estudo. Vai durar sete anos e foi conseguido pela Universidade de Oxford (no Reino Unido), eu sou apenas uma das colaboradoras.

Estas tecnologias que nos permitem ver o que se passa dentro do cérebro também têm as suas limitações. Há muitas coisas que acontecem e que uma ressonância magnética não mostra, certo?
Certo. A ressonância dá-nos informação sobre o desenvolvimento do cérebro, mas não nos mostra o que acontece a um nível celular. Assim, vemos que a matéria cinzenta e a branca estão a mudar no cérebro ao mesmo tempo, mas não sabemos por que é que isso acontece, o que é que está a acontecer a um nível celular, nos neurónios e nas sinapses. A ressonância não tem a resolução para nos mostrar as informações a esse nível. Estamos à espera dessa nova tecnologia, mas ainda vai demorar muitos anos.

Mas já foi possível perceber, por exemplo, que a percepção do outro é muito diferente entre adolescentes e adultos. Usam estratégias diferentes?
Sim. Quando pensam nas outras pessoas, e nas suas perspectivas e emoções, os adolescentes usam a mesma rede de regiões cerebrais que os adultos. Porém, o padrão de actividade é diferente. É a denominada “rede social do cérebro”. Os adultos usam a parte do córtex pré-frontal menos do que os adolescentes; e usam a região temporal mais do que os adolescentes. A actividade nas regiões pré-frontais diminui com a idade durante a adolescência, e a actividade na região temporal aumenta. Usam as mesmas regiões, mas os níveis de actividade são diferentes nestas redes.

Hoje sabemos muito mais sobre o cérebro dos adolescentes do que há 20 anos, como disse, mas os adolescentes ainda são um mistério?
Há muito menos mistério do que já houve, e o conhecimento destas mudanças no cérebro contribui para isso.

Quais são as questões em aberto mais importantes para si?
As diferenças individuais. Como é que a cultura, o ambiente, a nutrição, o exercício físico, o tempo passado no ecrã, o ambiente social... como é que todas essas coisas afectam o desenvolvimento do cérebro na adolescência. Sabemos que devem afectar, mas não sabemos como. Outras questões: por que é que alguns adolescentes desenvolvem doenças mentais e outros não? Por que é que alguns correm muitos riscos e outros nem tanto? São questões importantes sobre diferenças individuais. Até agora, o campo do desenvolvimento cerebral na adolescência tem estado muito focado em médias. Agora temos de começar a olhar para as diferenças entre indivíduos e o desenvolvimento do cérebro.

Mas será sempre o resultado de muitos factores.
Claro. O ambiente social muda de uma forma tremenda durante a adolescência, e as hormonas, e também a forma como os pais e a sociedade tratam os adolescentes. Eles permitem mais independência e liberdade. Todas estas coisas vão contribuir para o desenvolvimento dos adolescentes, para o seu comportamento e da sua mente.

Tem dois filhos pequenos. Está com medo da adolescência que vem aí?
Não, não, não, não! Os meus filhos estão prestes a tornar-se adolescentes, um tem 12 anos e meio e outro 10 anos e meio. Acho que é realmente um momento emocionante. É um tempo em que desenvolvem o sentido de si mesmos, a sua identidade de uma forma mais profunda.

Isso não será porque é cientista? Está entusiasmada com a ideia de fazer investigação em casa?
(risos) Talvez. Mas, mais uma vez, insisto que ajuda saber o que se passa no seu cérebro. Às vezes, quando um adolescente está mal-humorado, é rude ou mesmo se revolta contra nós, é muito difícil para os pais. Estamos habituados a que façam o que dizemos e que nos tomem como exemplo e, de repente, eles não estão a fazer nada disso. Mas saber que essa é uma parte muito importante do seu desenvolvimento e da sua independência, é útil. Eles precisam de experimentar e exercitar a independência, a autonomia, a tomada de decisões. Eles precisam de ser um pouco rebeldes contra os seus pais.

Por que é a influência dos pares tão importante na adolescência?
É uma forma de se filiarem num grupo e se tornarem gradualmente independentes dos seus pais, e mais integrados numa rede social própria, com uma hierarquia social. Eles precisam de ser independentes. Como nós também precisámos um dia.

Os adolescentes ainda a podem surpreender, como cientista?
Sim. A vastidão das diferenças individuais é muito interessante. Embora, no fundo, isso não seja assim tão surpreendente, porque todos somos diferentes.

A entrevista encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO

sábado, 9 de dezembro de 2017

Associação treina cão barbado da ilha Terceira para apoiar menino autista

A Associação Portuguesa de Cães de Assistência (APCA) vai ajudar a treinar um cão barbado da Terceira para prestar apoio a uma criança autista que vive na ilha. 

“É uma família com três crianças, uma delas com autismo mais profundo, as outras possivelmente com Asperger. Obviamente que um cão de assistência fará todo o sentido, porque não só ajudará a uma maior conexão familiar, porque acaba por ser sempre o elo de ligação, mas também para ajudá-lo a abrir o seu mundo”, adiantou, em declarações à Lusa, Rui Elvas, presidente da APCA.

Criada em 2014, a associação trabalha com cães nas áreas do autismo, da epilepsia, da mobilidade reduzida, da doença mental e da diabetes.

Já treinou três cães, um na Dinamarca, para uma pessoa com diabetes, e dois em Portugal, para portadores de autismo, estando atualmente a treinar 12 cães para diferentes patologias.

Esta é a primeira vez que a associação treina cães para os Açores e o pedido chegou, quase em simultâneo, por parte da mãe das três crianças com autismo e por parte de pessoas interessadas em estender a associação à ilha Terceira.

“Trabalhamos pela Europa toda. Trabalhamos em Portugal e estamos a treinar cães já na Dinamarca, na Alemanha e no Luxemburgo. Nos Açores nunca tínhamos treinado e nunca nos tinha sequer sido solicitado apoio nesse sentido, apesar de agora virmos a descobrir que realmente existem muitas crianças com perturbação do espetro de autismo nos Açores”, salientou Rui Elvas.

O objetivo é criar uma delegação da APCA nos Açores e formar treinadores na ilha Terceira para dar resposta aos pedidos que surjam no futuro no arquipélago, “sem que haja tanta necessidade de deslocação de um treinador do continente”.

Esta será também a primeira vez que a associação, que tem treinado labradores e cães de água, trabalhará com a raça barbado, da ilha Terceira.

“O barbado da Terceira é um cão muito parecido em termos de comportamento e de caráter com o cão de água, portanto para nós é um excelente exemplo de podermos trabalhar com um cão da terra”, adiantou o presidente da associação, que treina cães desde 2010.

A APCA já tem um cão barbado da Terceira, mas a formação e certificação ronda os 4.000 euros, por isso, este sábado, organiza em conjunto com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e outras entidades uma angariação de fundos, num evento com comida e animação musical, que decorre no Centro Cultural de São Bento, a partir das 19:00 (hora local, mais uma em Lisboa).

A iniciativa vai contar também com a presença do primeiro cão treinado em Portugal para dar apoio a portadores de autismo, o Sinatra, que é acompanhado pelo seu dono, Miguel.

Segundo Rui Elvas, é um exemplo de como um animal treinado pode fazer uma “grande diferença na vida de uma criança autista, não só porque quebra as barreiras que a criança cria à sua volta, como também lhe dá a segurança para aceder a espaços e a áreas onde eventualmente sente algum desconforto”.

“O Miguel era uma criança com um autismo de moderado a severo. Não comunicava, não interagia, não fazia contacto visual, não deixava ser tocado, não entrava em espaços públicos (...). Tinha uma série de limitações. À medida que o cão foi inserido na vida do Miguel todas essas situações começaram a ser reduzidas em grande parte”, salientou.

Fonte: Açoriano Oriental por indicação de Livresco

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Crianças Com Necessidades Educativas Especiais Com Falta De Apoio Na Escola Básica Dos Redondos

O Grupo Parlamentar do PCP teve conhecimento de que dois meses após o início do ano letivo há alunos com necessidades educativas especiais na Escola Básica de 1º ciclo com Jardim de Infância dos Redondos, no concelho do Seixal, sem acompanhamento adequado. São crianças que necessitam de acompanhamento permanente de uma assistente operacional para o correto desempenho das tarefas curriculares.
Os pais e encarregados de educação destes alunos transmitiram-nos que foram informados pela Direção do Agrupamento de Escolas de Pinhal de Frades que não é possível contratar assistentes operacionais para este fim. Transmitiram-nos ainda que “quando solicitada informação à Direção do Agrupamento sobre o que fazer perante tal situação, posto que está também em causa a segurança destas crianças, foi sugerido que os respetivos encarregados de educação ponderassem a não frequência das mesmas nas Atividades Enriquecimento Curricular (AECs) até ao final no mês de Outubro, por se prever que nessa altura será colocada mais uma assistente operacional, mas para toda a escola, e não especificamente para assistir estas crianças. O que equivale a dizer que mesmo com a colocação dessa assistente, este problema manter-se-á.”
Uma escola verdadeiramente inclusiva exige que seja dotada dos meios humanos, técnicos e materiais para assegurar o direito à educação para todos os alunos. Não é aceitável o Governo não garantir as condições de frequência dos alunos com necessidades educativas especiais na Escola Básica dos Redondos. Em cumprimento do direito constitucional à educação e para assegurar uma verdadeira Escola Inclusiva, o PCP entende que é fundamental a contratação dos assistentes operacionais em falta.
O Grupo Parlamentar do PCP solicitou ao Governo através do Ministério da Educação os seguintes esclarecimentos:
  1. O Governo conhece as condições de frequência dos alunos com necessidades educativas especiais na Escola Básica dos Redondos, considerando a falta de assistentes operacionais para os acompanhar? Que medidas vai o Governo tomar para garantir que esta escola seja dotada dos meios que necessita para assegurar a adequada frequência dos alunos com necessidades educativas especiais, assegurando assim uma verdadeira escola inclusiva?
  1. Vai proceder ao reforço do número de assistentes operacionais nesta escola? Para quando está previsto esse reforço?
Fonte: Distrito online por indicação de Livresco

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

LEIRIA QUER CONSTRUIR PRIMEIRO PAVILHÃO DESPORTIVO INCLUSIVO DO PAÍS

O Município de Leiria pretende construir o primeiro pavilhão desportivo inclusivo do país, anunciou esta quarta-feira o presidente da Câmara, Raul Castro, na sessão comemorativa do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

"Entre os desafios que queremos concretizar, destaco a construção, nas Cortes, do primeiro pavilhão desportivo inclusivo do país", sublinhou Raul Castro (PS), citado numa nota de imprensa, após a revelação ter sido feita na sessão comemorativa do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, que decorreu hoje no Museu de Leiria.

Segundo o autarca, "no Município de Leiria tem ocorrido, nos últimos anos, uma consciencialização crescente para as questões da inclusão, uma preocupação que não se fica pelo discurso, mas materializa-se em atos". 

O autarca manifestou ainda o desejo de continuar a aprofundar este trabalho, no sentido de tornar o concelho mais inclusivo e promotor da igualdade de oportunidades para todos. 

"O trabalho na área da inclusão convoca-nos a um esforço continuado, aos mais diversos níveis, seja na saúde, educação, proteção, apoio social, emprego ou mesmo do urbanismo, no sentido de democratizar o acesso ao espaço público, com eliminação de barreiras e obstáculos", acrescentou Raul Castro. 

A secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas para a Deficiência, Ana Sofia Antunes, destacou o trabalho do Município, considerando que em vários aspetos Leiria é capital nacional da inclusão, refere ainda o comunicado.

Fonte: Record por indicação de Livresco

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Escolas possuem 3.600 com necessidades especiais - Região Autónoma da Madeira

Jorge Carvalho, secretário regional da Educação, disse que existem cerca de 400 técnicos a acompanhar 3.600 alunos com necessidades especiais nas escolas da Região.

O governante, que falava na abertura da Semana Regional da Pessoa com Necessidades Especiais, que se realizou ontem, na Escola Profissional Dr. Francisco Fernandes, afirmou que o objectivo desta iniciativa “é sensibilizar a comunidade para as questões relacionadas com a deficiência e as necessidades especiais”. “E, por outro lado, divulgar também aquilo que são os trabalhos executados nas nossas escolas por estes alunos e respectivos técnicos”, reforçou.

Já Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional, disse que é necessário haver uma mobilização, de forma a integrar as pessoas com necessidades especiais na sociedade, sendo que este trabalho deve ser feito de uma forma “equitativa”.

“Temos que olhar para estas pessoas como pessoas válidas e aptas, com capacidade de participação social e isso deve ser feito de uma forma natural e não forçada, sendo que uma das melhores formas de o fazer é através do ensino”, afirmou, acrescentando que “não há nenhuns estigmas” devido ao trabalho que tem sido feito ao nível da sensibilização.

O governante terminou o seu discurso anunciando que o Governo Regional vai continuar a “suportar financeiramente esta política” que tem dado resultados tão importantes, sendo este é “o dinheiro mais bem gasto” a nível regional.

No decurso desta semana, que se realiza até ao dia 7 de Dezembro, será efectuado um périplo por 13 escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico de todos os concelhos da Madeira, o Serviço Técnico de Educação Especial e o Conservatório - Escola Profissional das Artes da Madeira - Engenheiro Luíz Peter Clode, num total de 15 instituições.

No que concerne às actividades das escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, estas foram elaboradas pelos estabelecimentos de ensino, com a colaboração dos centros de Recursos Educativos Especializados e da Direcção de Serviços do Desporto Escolar. Nestas actividades irão estar envolvidos 1.456 alunos.

Refira-se que a Semana Regional da Pessoas com Necessidades Espciais realiza-se sob a temática ‘Diferença + Equidade = Inclusão’, sendo este o lema vencedor de um concurso lançado à comunidade, extensível a todo o território nacional, no qual participaram 106 candidatos.

O evento tem como principal objectivo contribuir para o reforço dos níveis de inclusão social, da participação e da igualdade de oportunidades, bem como a promoção do debate e da consciencialização para a temática das necessidades especiais com vista a alcançar níveis efectivos de inclusão.

Fonte: DNoticias por indicação de Livresco